Sem Martinho Lutero, o século XVl poderia haver testemunhado uma série de movimento convulsivos de reforma religiosa, mais de um cisma no que havia sido o manto inconsútil da Igreja Católica,e o termo Reforma poderia haver aplicado a todas esses movimentos. Ao mesmo tempo, porém, a reforma não foi simplesmente luterana. Lutero não foi um antipapa. Eis o que disse aos habitantes de Estrasburgo em uma reunião teológica de cúpula em 1529: “Não sou vosso senhor nem vosso juiz. Enquanto ensinais em Estrasburgo não me preocupa . Enquanto persistirdes em não aceitar meus ensinamentos, não posso tolerar-vos como discípulos” ( Em Lutero, a auto-afirmação e a auto-abnegação representavam duas faces da mesma moeda). No início a Reforma aconteceu principalmente nas cidades – tinham sua própria lei, a cada pregador e panfletário era um reformista, segundo suas próprias idéias. Outras regiões, como outras culturas, inventavam outros modelos de reforma, especialmente a Suíça, que atraiu para sua órbita o sudeste da Alemanha, inclusive os habitantes de Estrasburgo. Os chamados Anabatistas se dispersaram em várias direções, desligando-se das amarras da lei e do governo, de forma que o rótulo moderno e genérico de “radicais” lhes poderá ser mais adequado. E em breve passou a existir um novo planeta teológico que exerceu força de gravidade ainda maior do que a de Lutero: o Frances João Calvino, cujo poderoso intelecto dominou Genebra. Entre os calvinistas, ou “reformados”, e os luteranos, ou “evangélicos”, abriu-se um grande hiato que nem mesmo as atribuições comuns dos cristãos protestantes na Alemanha nazista conseguiram transpor. Um dos primeiros dissidentes foi um dos colegas de Lutero, e de forma seu superior, na universidade e na igreja de Wittenberg, Andreas bodenstein Von Karlstardt (1486-1541). Karlstardt era um míssel errante, homem cheio de idéias em constante mutação, mas não era um Lutero, e isso criava ressentimentos. Foi ele quem desafiou John Eck com a dose supraletal de nada menos do que 405 teses, provocando o grande debate em Leipziig, onde foi suplantado por Lutero. Em Witteenberg, em 1521-22, durante a ausência de Lutero em Wartburg, Karstadt (e Melanchthon, pois a culpa não foi inteiramente do primeiro), entretanto em ação: uma simplificação radical da missa calebrada em roupagens quotidianas comuns, iconoclastia, um programa da reforma municipal e para si próprio, casamento com uma menina de 15 anos. O Movimento de Wittenberg foi precipitado e ilegal, mas Karlstadt apenas antecipara o que se tornaria em muitas cidades o programa da reforma. Atípica foi a relutância de Lutero em transformar suas idéias em ação radical; somente em 1526 ele publicaria um missal em alemão. Mais tarde Lutero regressou, Karlstadt foi repudiado e humilhado, retirando-se para o campo, onde vestiu roupas de camponês, passou a freqüentar os bares e pediu que o chamassem de “Andreas, nosso vizinho”.Segui-se um processo de progressiva radicalização, que Lutero desprezou, considerando-o pura ambição.
Este blog foi criado para divulgação, de estudos teológico. História da igreja (eclesiástico) e educação cristã. Enfim para o crescimento de todos aqueles, que gostam de estudar a Bíblia, e entender a sua importância no meio da sociedade em que vivemos.
sábado, 4 de junho de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
A Real Insensibilidade, Falso Moralismo da Reforma parte 3
O problema que temos de enfrentar é saber se o conciliarismo de Constança e de Basiléia poderia haver impedido a Reforma, tornando assim desnecessária essa violenta ruptura, muito mais prejudicial do que o Grande Cisma. É um pouco como comparar a chamada Revolução Incruenta de 1688 na Inglaterra com a Revolução Francesa: se tivesse havido um 1688 na França teria sido possível evitar 1789? A história é incapaz de responder a perguntas dessa espécie, pois o passado não é um jogo que possa ser jogado outra vez, com as peças rearrumadas ou mudadas ou mudadas no tabuleiro. O que podemos dizer é que a “reforma da cabeça e dos membros” foi um bom slogan, mas nunca muito mais do que isso. A reforma sempre esteve na agenda em todas as reuniões eclesiásticas de cúpula entre 1378 e 1514, mas pouco se conseguiu realizar. Os membros perceberam a necessidade de reformar a cabeça, assim como uma aos outros, pois na prática os membros não eram partes interdependentes do corpo, como São Paulo havia idealizado para a igreja ( ele deixou escrito:”o corpo não é um membro ... existem muitos membros, mas apenas um corpo”), pois interesses setoriais tendiam a causar tensões: os papas com os governantes seculares, os bispos com seu clero, as ordens religiosas com as universidades. Não sou eu quem precisa ser reformado, e sim o outro.
Falso Moralismo da Reforma parte 2
idéias desse tipo haviam influenciado até mesmo os círculos jurídicos onde tinham sido desenvolvidos argumentos em apoio à reivindicação do papa de plenitudo potestais, a plenitude do poder, quase como se ele fosse a Igreja. Mas como ficariam as coisas se o papa enlouquecesse ( coisa de que os que abandonaram Urbano Vl em 1378 suspeitaram com bastante fundamento) ou se ficasse incapacitado? Mais do que isso, e se ficasse clara a impossibilidade , mesmo com a maior boa vontade do mundo, de decidir quem era o papa? A história havia visto muitos antipapas, mas sempre fora evidente que eram apenas isso. O caso agora era diferente. Os intelectuais, especialmente os intelectuais parisienses da época, chegaram à conclusão de que somente um concílio Geral, que tivesse precedência sobre qualquer dos pretendentes a papa, seria capaz de restaurar a unidade; passaram portanto a ser conhecidos como “conciliares”, como uma ideologia coerente de “ concíliarismo”. Mas quem poderia convocar tal concílio, senão o papa legitimo? Rompendo com todas as tradições, um Concílio Geral foi convocado em Pisa em 1409 com base na autoridade de alguns cardeais de ambas as facções e em desafio aos dois papas rivais, que eram agora Benedito Xlll e Gregorio Xll. Pisa entretanto nada conseguiu exceto complicar o Cisma ao criar um novo papa, Alexandre V, que tanto Benedito quanto Gregório evidentemente repudiaram. Quando o sucessor de Alexandre, João XXlll (não confundir com o papa que tomou esse nome em 1958), foi convencido a convocar o Concílio que se reuniu em Constança em 1414, os conciliares perceberam que somente soluções radicais poderiam dar certo. O Concílio promulgou um decreto, Haec Sancta, que efetivamente declarava que o todo era maior do que a soma de suas partes, inclusive a que representava a cabeça do corpo, o papa. A autoridade do Concílio derivava diretamente de Cristo, e todos, “de qualquer condição, grau ou dignidade , inclusive o papa”, tinham obrigação de obedecer a todas as medidas por ele tomadas para terminar o Cisma e reformar a Igreja “na cabeça e nos membros”. Um decreto posterior, Frequens, tinha o objetivo de basear o governo da Igreja nos Concílios, os quais deveriam ser realizados a intervalos regulares. No entanto, o futuro desse conciliarismo radical tornou-se incerto depois que o Concílio de Constança decidiu resolver o Cisma examinando programas mais amplos de reforma, livrou-se dos três papas, inclusive aquele que o convocara, João XXll, e elegeu novo papa, Martinho V, que foi reconhecido em 1431, porém logo antagonizou o papa Eugenio lV, seguindo-se um prolongado concílio. O Concílio da Basiléia durou 18 anos, mas mergulhou em confusão ao eleger seu próprio antipapa em 1439. Esses acontecimentos tiveram a infausta conseqüência da transformar o papismo eo conciliarismo em ideologias divergentes durante todo o século seguinte. Depois que a poeira assentou, o papa permaneceu sendo papa, no comendo da máquina bem azeitada da Cúria, e o Concílio se esfumou. No futuro, entretanto, os monarcas etilizariam o triunfo do concílio em seu próprio interesse, como na ocasião em que o rei de França, Luís Xll, organizou um concílio ostensivamente antipapa em Pisa, ao qual o papa Júlio ll reagiu convocando o Quinto Concílio de Latrão (1512-17). Por esse motivo o papado levou tanto tempo para reagir à reforma de Lutero. Por ocasião o Concílio de Trento em 1543, a única resposta que o Catolicismo podia oferecer ao protestantismo era a de definir-se como sua imagem negativa, e não a de repara a brecha.Collinson,Patrick,1ªSérie em português,2006,editora,ObjetivaLtda.
Tradução de S.Duarte
titulo original The Reformation
Falso Moralismo da Reforma
No século XV todos falavam em “reforma” – uma espécie de equivalente a coisas corriqueiras como a “maternidade e o pão com manteiga”. Esse termo era freqüentemente encontrado na “fórmula da Igreja, de sua cabeça e seus membros” e nesse nível acreditava-se que o objetivo da reforma deveria ser todo o corpo da Igreja, porém mais especialmente as camadas elevadas. O escândalo do Grande Cisma sublinhou a necessidade de reforma profunda e crítica, pois durante toda uma geração (1378 – 1417) a obediência ficou dividida entre dois e à s vezes três papas diferentes. Durante setenta anos anteriores a essa época o papado não estivera localizado em Roma e sim em Avignon, sob influência predominante francesa. O luxo de Avignon, que os turistas que visitam o Palais dês Papes ainda podem conhecer, foi denunciado pelo poeta Petrarca e outros como “cativeiro babilônico”. O último papa de Avignon, Gregorio Xl, que era Frances, voltara a Roma convencido pelas suplicas de uma santa, Catarina de Siena, que se dirigia a ele como dulcíssimo babbo mio ( meu dulcíssimo paizinho). Roma procurou então recuperar para si o papado, mas a eleição de um italiano, Urbano Vl, sob pressão de uma multidão, provocou a contra-eleição de um Frances, Clemente Vll, que retornou a Avignon, As alianças estavam divididas segundo as fronteiras políticas da Europa. Como a França apoiava Clemente, a Inglaterra naturalmente se inclinou por Urbano, o que significa que a Escócia ficava com o Francês. A situação era cheia de inconvenientes práticos. Como poderia alguém ter certeza da validade de quaisquer julgamento e atos administrativos que decidissem a distribuição de propriedades e funções? Mas o escândalo maior era ideológico, que deixava a num a implausibilidade da reivindicação do bispo de Roma de ser o sucessor de São Pedro e vigário de Cristo na Terra. Alguns já achavam que a lógica desse impasse era que cada reino tivesse seu próprio papa. Numa série de decisões que acabaram por resolver a crise, foram feitos acordos com poderes seculares que lhes deram muitas das vantagens em termos de recursos e nomeações que Henrique Vlll da Inglaterra se arrogaria na década de 1530. Já se prenunciava o tipo de papado criado por Gregório Vll e Inocêncio lll. A longo prazo, por meio do processo quinhentista conhecido como Contra- reforma, os papas seguintes encontrariam a solução do problema criando um novo tipo de Igreja, mais separada das monarquias seculares do que havia sido o caso, enquanto os próprios pontíficies se tornavam seculares de um principado italiano de tamanho médio. (entre 1523 e 1978 não houve papas que não fossem italianos.) Em seus domínios espirituais num estado sem fronteiras e com pouco batalhões, poderiam ter a esperança de gozar de algo parecido com o mesmo poder absoluto a que aspiravam as monarquias seculares. Esse estado espiritual centralizado estava destinado a durar até o Segundo Concílio Vaticano da década de 1960, e em certos aspectos ainda convive conosco no pontificado do atual papa.
Collinson,Patrick,1ªSérie em português,2006,editora,ObjetivaLtda.
Tradução de S.Duarte
titulo original The Reformation
Collinson,Patrick,1ªSérie em português,2006,editora,ObjetivaLtda.
Tradução de S.Duarte
titulo original The Reformation
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Misticismo Especulativo
O mundo que Martinho Lutero nasceu, em 1483, estava cheio de novos fenômenos religiosos. Havia novas modas teológicas e intelectuais, entre as quais uma retomada de Santo Tomás de Aquino entre os dominicanos e uma renovação do interesse em Santo Agostinho e São Paulo, influências críticas sobre a mente do próprio Lutero. Havia novos santos redescobertos, como Maria Madalena, uma fusão de Maria, irmã de Marta e de Lazaro, com a mulher de vida fácil que lavava os pés de Jesus, e que proporcionava um modelo para a reforma que exigia arrependimento pessoal dos pecados, assim como uma forma de tratar da “questão da mulher”. Havia uma devoção nova quase nova, a Santa Ana, mãe da Virgem Maria, que era favorita entre mineiros e metalúrgicos, e a quem o jovem Lutero orou quando se viu apanhado por uma violenta tempestade: “Sant’Ana, ajuda-me! Vou fazer-me monge”, sua primeira conversão. A própria Virgem nunca havia sido tão querida, com virgens de vários lugares disputando a preferência dos peregrinos. Em Regensburg, no sudeste da Alemanha, onde uma sinagoga estava sendo demolida para dar lugar a uma igreja (o anti-semitismo nunca esteve distante), houve um acidente industrial e uma cura milagrosa operada (quem mais poderia ser?) pela Virgem. Objetos e centros de devoção como esse raramente eram planejado e construído pelo que afirmavam ser responsáveis pela Igreja. Tipicamente, surgiam de “devoções” populares, freqüentemente sem controle . Por toda parte as autoridades da Igreja se envolviam em exercícios delicados de equilíbrio. O fato de que a Igreja do final da Idade Média encampasse tantas práticas que ultrapassavam o tênue limite entre “religião” e “superstição” sugere que ela já conhecia bem o popular adágio que diz: se não és capaz de vencê-los, juntar-te a eles. Os cristãos modernos podem achar mais fácil identificar-se com a reforma em termos do intenso cristocentrismo do início do século XVl e reconhecê-lo como algo que nutria a religião do reformista Martinho Lutero. Na Inglaterra, o culto do Sagrado Nome de Jesus era popular e muitas das igrejas construídas ou restauradas nesse período estão cravejadas com o monograma emblemático da Sagrado Nome, IHS. Tanto antes quanto depois da Reforma, acreditava-se que os pregadores deveriam “pregar Cristo”. Albrecht Durer não somente retratou um Cristo pungentemente sofredor em suas séries de gravuras da Paixão em madeira, nas em mais de um auto-retrato identificou-se iconograficamente com o homem Sofredor. Assim como Cristo na cruz pronunciou as palavras de um dos Salmos mais tristes (“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”), o próprio Lutero, ao fazer conferência sobre os Salmos, convidara seus ouvintes a participarem do sofrimento de Cristo: “Assim como aconteceu com Cristo, que seja comigo”. O misticismo era constante fonte de renovação, especialmente no século XlV. Embora mais tarde Lutero suspeitasse do misticismo especulativo como uma espécie de atalho e acesso ao céu feito pelo homem.
Collinson,Patrick,1ªSérie em português,2006,editora,ObjetivaLtda.
Tradução de S.Duarte
titulo original The Reformation
Praticas Religiosas
Lutero denunciou grande parte das praticas religiosas de seu tempo num crescendo cada vez mais estridente de protesto que em breve deixou intacto muito pouco da antiga igreja. Definiu a Igreja em termos grosseiramente reducionistas, simplesmente como o rebanho que prestava a atenção nos assobios do pastor:”Uma criança de sete anos sabe o que é a Igreja, isto é, piedosos crentes e carneiros que ouvem a voz do pastor”. Para Leão X, o papa que o excomungou, Lutero era um javali selvagem, que desenraizava as videiras da Igreja, cuidadosamente cultivadas. Lutero reagiu chamando o papa “homem do pecado e filho da perdição”, o “fim e resíduo de todas as idades”, o no fim de sua vida, num livro que ele de reconhece não haver “ agradado igualmente a todos, ‘O Pai mais Diabólico’”. O paradoxo é que a crítica de Lutero veio do cerne da tradição que ele denunciava. Sua consciência, sente-se fascinada pela Bíblia como Palavra de Deus, o único verdadeiro fundamento da fé da Igreja. Compreender que a reforma não era, a seus olhos, uma novidade, é o começo da sabedoria. “Reforma” era uma espécie de mantra já rodado muito antes da Reforma. “Reforma” (tradução de reformatio do latim) era uma formulação claramente diferente e bastante mais concreta à qual, não obstante, nem mesmo o séculoXVl atribuiu todo o sentido genérico que mais tarde o termo assumiria para os historiadores, No século Xl o papa Gregório presidia ao que a história conhece como reformas gregorianas, que procuravam enviar as influências corruptas da secularização sobre a Igreja, ao insistir no celibato eclesiástico, no fim da compra e venda dos serviços divinos (“simonia”) e no controle laico dos negócios da Igreja. Em 1215, outro papa reformador, Inocêncio lll, convocou em Roma o quarto dos concílios da Igreja realizados no Palácio de Latrão, o qual formulou o que se tornaria a doutrina oficial da Eucaristia e exigiu que os cristãos confessassem anualmente seus pecados, um importante marco.O papa Inocêncio também julgaram desejável uma reforma que impedisse a formação de novas ordens religiosas, e assim os frades franciscanos e dominicanos foram os últimos a ser reconhecidos, ambos expressões dos vigorosos impulsos reformistas de seus fundadores, São Francisco e São Domingos.
Collinson,Patrick,1ªSérie em português,2006,editora,ObjetivaLtda.
Tradução de S.Duarte
titulo original The Reformation
imagem cpf22.blogspot.com
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Choques e Tremores da Reforma
Existia uma tensão entre o procedimento, a qual, projetada em uma tela mais ampla, é a tensão entre a Reforma como parte contínuo mundo da história e a Reforma como extraordinário momento histórico. Assim os cenários tanto do tempo quanto do espaço foram sujeitos a uma reconstrução radical e física, e uma série de abalos secundários seria sentida durante mais de um século. Comunidades inteiras, Igrejas e Estado participaram desse choque inicial e dos tremores subseqüentes. Outros governos promoveram uma forma diferente de Protestantismo, mais completa em seu afastamento do Catolicismo tradicional e desenvolvida nas cidades cantões do sudoeste da Alemanha e Suíça, principalmente em Genebra, onde João Calvino exercia o domínio intelectual e espiritual. Essas foram as Igrejas Reformadas, e esse título indica que reivindicavam ser “mais bem reformada”. Fiéis ao principio de cuius régio, eius religio, o principio de que o governante determina a religião de seu estado, o Platinado da Renânia, no sudeste da Alemanha, tornou-se sucessivamente evangélico, reformado, e finalmente recatolizado de forma um tanto brutal. Esse principio foi desafiado na França, onde uma minoria significativa protestante (e reformada) gozava de forte apoio político e militar, o que mergulhou o país em décadas de guerra (parcialmente) religiosa. Nos Países Baixos tudo se modificou, a religião sustentou uma revolta contra o legítimo governo da Espanha e ajudou no surgimento de um novo tipo de política, e de uma república independente. A Inglaterra, que no inicio do século XVl parece ter sido um dos países mais anticatólicos da Europa, tornou-se , na altura do século XVll, o mais violentamente anticatólico, e a ideologia quase dominante do anticatólicismo alimentou as guerras civis que dominaram todas as partes das Ilhas Britânicas na metade do século e mais tarde provocaram a Revolução sem Sangue, de onde originou aquilo que se considera ser a constituição britânica.
Collinson,Patrick,1ªSérie em português,2006,editora,ObjetivaLtda.
Tradução de S.Duarte
titulo original The Reformation
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